rodoviária (e outras passagens)

por João Bosco Bezerra Bonfim

Artes Verbais, Literatura de Cordel, Discurso, Letramento Literário, Narrativas, Poesia



passagens terrâneas e subterrâneas

I
rodoviária: onde mais
a alma pagaria por
nossa passagem diária?

II
campo da esperança

que esperar desse espiralado
campo?
se ao céu se só
elevam as sementes
que fazem cavadas
no chão
essas covas?

III
torre de tv

o vento
– que passa –
é o único
que fica

IV
solo de cigarra

para o perpetuar-se
fero canto
tanto tanto tanto
no entanto
à morte leva tal
encantoso canto
e se cantam cantam
cantam
em sete palmos cavados
mergulho
para desencantar anos-cigarra
depois até ser ferido pelo
fero canto

(poemas extraídos de passagens terrâneas e subterrâneas, Ed. Ed. LGE/FAC, 2003)
João Bosco Bezerra Bonfim, cearense de Novo Oriente, nasceu em 1961 e reside em Brasília desde 1972. É graduado em Letras, Mestre e Doutor em Linguística, com estudos de análise de discurso sobre mídia impressa e literatura de cordel. Tem mais de vinte livros publicados, entre infantojuvenis, cordéis, poesia lírica e estudos sobre retórica. É autor, entre outros, de Romance do Vaqueiro Voador. É Consultor Legislativo do Senado Federal, desde 1996.

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About João Bosco Bezerra Bonfim

Poeta, pesquisador de linguística e literatura. Mora em Brasília, DF, Brasil. Autor de mais de vinte livros: análise de discurso, poesia, literatura infantojuvenil, cordéis. Nasceu na Barra do Riacho Seco, município de Novo Oriente, Ceará, em 1961. Reside em Brasília desde 1972. Professor de literatura, mestre e doutor em linguística, na área de análise do discurso. Ministra oficinas para mediadores de leitura; faz leituras públicas de suas obras; participa de eventos literários em todo o Brasil.

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