O cão sem flores – nova do Fabulário Conciso para Tempos Inclementes

por João Bosco Bezerra Bonfim

Artes Verbais, Literatura de Cordel, Discurso, Letramento Literário, Narrativas, Poesia


cão sem flores


IX
O cão sem flores

Nenhum lugar no mundo é mais propicio
Para se enterrar tesouro valioso:
O jardim, onde se planta o osso.
Todo cachorro sabe esse ofício.

Data do tempo da fome canina
O bom hábito de fazer poupança
Quando faltar a matéria mais fina
Saca-se do jardim, enche-se a pança.

Mas outra fome – que não de comida –
Nasce no cão com a beleza da flor
A fartar os olhos mais que a barriga.

E assim surge o sofrer por amor:
Duas fomes se insurgem e brigam:
E entre a flor e o osso gane de dor

João Bosco Bezerra Bonfim

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About João Bosco Bezerra Bonfim

Poeta, pesquisador de linguística e literatura. Mora em Brasília, DF, Brasil. Autor de mais de vinte livros: análise de discurso, poesia, literatura infantojuvenil, cordéis. Nasceu na Barra do Riacho Seco, município de Novo Oriente, Ceará, em 1961. Reside em Brasília desde 1972. Professor de literatura, mestre e doutor em linguística, na área de análise do discurso. Ministra oficinas para mediadores de leitura; faz leituras públicas de suas obras; participa de eventos literários em todo o Brasil.

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