Quem é?

por João Bosco Bezerra Bonfim

João Bosco Bezerra Bonfim, crédito Cícero Bezerra, maio de 2016João Bosco Bezerra Bonfim

João Bosco Bezerra Bonfim é poeta e pesquisador; autor de 28 livros, entre poesia, cordéis, infantojuvenis e ensaios. Romance do Vaqueiro Voador (Callis, 2004); in feito (Ed. do Autor, 2009); e A Botija Encantada (DCL, 2016) são três desses títulos. Com doutorado em Linguística em que pesquisou o cordel, ministra oficinas de letramento literário – de cordel, poesia e narrativas – e é também curador de eventos literários, como a Jornada Literária do DF (1ª edição em 2016, com patrocínio do FACDF); e Poesia em Voz Alta (1ª edição em 2016, em parceria com a Associação Nacional de Escritores/FACDF). Cearense, nascido em Novo Oriente (1961), reside em Brasília desde 1972.

Mais a respeito de João Bosco

João Bosco Bezerra Bonfim é um cearense nascido no Município de Novo Oriente, em 1962.  Transplantou-se para Brasília em 1972, para morar com sua irmã, Ana Sena Neta. Naninha (mesmo nome e apelido da avó paterna), no ainda não inaugurado Guará II. Solidária, chamou mãe, pai e irmãos. O pai, Cândido Jaime Bezerra, jamais adotaria Brasília por completo. E mora até hoje – vida longa a Seu Cândido – na Barra do Riacho Seco, com seus noventa e seis anos, bem completados em março de 2013..

João Bosco veio com Jaime Bezerra, irmão mais velho alguns anos, mas não tantos que não pudessem, pela modéstia dos recursos, dividir a mesma poltrona do ônibus da Ipu–Brasília. Vir no conforto de um ônibus era bem um luxo. Mas a primeira visão de Brasília, João Bosco registraria, anos depois, em seu livro Um Pau-de-Arara para Brasília (Ed. Biruta, 2010): Do alto do Colorado,/ se vê a mancha brilhante:/ luzes brotam do cerrado/ é um frenesi cantante/ uma visão delicada/ da cidade flutuante.

Antes de ir para o Guará II, morada em Taguatinga. A primeira escola: na Praça do Bicalho, ao lado da Igreja São José. No mesmo ano (de 1973) mudança para o Guará, estudo no Centro 8; depois no Centro 7 e, por fim, no Centrão. Ali conheceria Marilda, agora Marilda Bezerra, com que viria a se casar, em 1989. No Guará II, trabalhou em farmácias de propriedade de Jaime. Moravam, nessa altura, na QE 26, com Dona Adalvina Soares da Costa, sua mãe, que já chegara, trazendo também Bernadete Bezerra, irmã imediatamente mais velha do que João Bosco. Enfim, só não vieram para Brasília, Pedro de Alcântara, já morando em Imperatriz; e também Tarcizo, que servia ao Exército (IV BEC, em Crateús, e depois se mudou para Barreiras, na Bahia). Vicente de Paula (o Palô), tendo permanecido no Ceará, faleceu ainda por esse ano.

No final da década de 1970, as artes e o teatro. Primeiro o Grascom, ligado ao SESC/SENAC; depois o Favela Teatro Popular, que foi uma dessas escolas informais de arte e cidadania: liam-se os clássicos da dramaturgia, incluindo Brecht e suas propostas de atuação; Stanislawski e sua preparação do ator; e, principalmente, Augusto Boal e seu Teatro do Oprimido.

No começo da década de 1980, mudança para Imperatriz, no Maranhão. Ali, conclusão do segundo grau, morando com o irmão Alcântara e sua família (Erisvalda, Vinícios, Virgínia e Viviane). Ali, ajuda a fundar o núcleo local a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, em 1981.

De volta a Brasília, em 1982, passa no vestibular da UnB. Letras. Desde esse ano, e até 1989, mora no Paranoá, alternando com estadas no Guará II, onde permanecia a mãe. No Paranoá, engaja-se nos movimentos populares: é co-fundador da Associação de Moradores do Paranoá e, depois, do CEDEP (Centro de Cultura e Educação do Paranoá). Ricardo Pacheco, Benedito Prézia, Juarez Martins são alguns dos companheiros desse tempo.

Formado, em 1986, começa a trabalhar no Movimento de Educação de Base (MEB), onde atua como assessor pedagógico.  Por esse tempo, reencontra-se com Marilda, paixão da adolescência. Em 1989, casam-se, sob as bênçãos de Padre Agostin, mestre e mentor. Os filhos, Cícero Bezerra e Marília Bezerra vão sendo criados entre o Guará e o Plano Piloto, numa casa já cheia de livros, o que, parece, influenciaria a carreira de ambos, no futuro. Formado fotógrafo de cinema (na UnB), Cícero diz que chegou a esse campo porque gostava de historinhas. E Marília começa um curso de Artes Cênicas, para depois se formar em Psicologia. E prossegue com mestrado em Educação.

E o escritor? Primeiro, escritor de projetos e relatórios, discursos. Em 1996, aprovado para Consultor Legislativo do Senado, área de Pronunciamentos. Dessa lavra, associada aos estudos de Análise de Discurso, nasceriam dois livros de ensaio: A fome que não sai no jornal, (Editora Plano, 2002); e Palavra de Presidente, vol. I–  Discursos de Posse de Deodoro a Lula e vol. II – Sob o signo de Rui Barbosa, a Oratória dos Presidentes do Senado, LGE Editora, 2004 e 2006.

O primeiro livro de poesia é amador amador (Ed. do Autor, 2000). No mesmo rumo da poesia lírica vieram: Pirenópolis pedras janelas quintais (Ed. Plano, 2002), com fotos de Sílvio Zamboni, e arte de Wagner Alves; Teoria do beijo (Ed. do Autor, 2003), com arte de Ana Lomonaco; Passagens terrâneas e subterrâneas, (LGE Editora/FAC, 2004), também com arte de Ana Lúcia Lomônaco; in feito, (Ed. do Autor/Fundo de Apoio à Arte e à Cultura do DF, 2009), com design de Wagner Alves. E mais alguns cordéis. O primeiro, Romance do Vaqueiro Voador (LGE, 2004/Callis, 2010), recebeu o prêmio Max Feffer de Design Gráfico para Wagner Alves. Adaptado para longa-metragem pelo cineasta paraibano Manfredo Caldas, recebeu patrocínio da Petrobrás e foi apresentado na abertura do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2006. Em 2008, no Festival Latino-americano de Cinema, em Toulouse, recebeu o Prêmio Signis, de Direitos Humanos. Outros cordéis são a Chronica de D. Maria Quitéria dos Inhamuns (Ed. LGE, 2004), com ilustrações de Côca Torquato (que é do Parambu) e design de Wagner Alves; Um Pau-de-Arara Para Brasília (Ed. Biruta, 2010), com ilustrações de Alexandre Teles; O Auto de Santa Dica (Ed. do Autor, 2011), com arte de Alexandre Teles. E a literatura infantojuvenil. Para o Catálogo de Bolonha, da Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil (FNLIJ), foram selecionadas as obras São Chiquinho ou o Rio Quando Menino (Ed. Biruta, 2009) No Reino dos Preás, o Rei Carcará (Ed. Elementar, 2009) e O Soldadinho de Chumbo em Cordel (Ed. Prumo, 2010).

Quanto volta a estudar, de novo, fez questão que seu doutorado fosse sobre cordel, de onde saiu a tese O gênero do cordel sob a perspectiva crítica do discurso.. Para divulgar sua obra, ministra oficinas, cursos e palestras sobre letramento literário e cordel, para professores. Mantém um blog: www.joaoboscobezerrabonfim.com.br e continua o trabalho de escrita de cordéis, poesia lírica e outras artes verbais.