Fábula do Pequi

por João Bosco Bezerra Bonfim

Artes Verbais, Literatura de Cordel, Discurso, Letramento Literário, Narrativas, Poesia


Fábula do Pequi

 

 

 

 

 

 

 

I
Fábula do Pequi

Era uma vez, deserto no Cerrado,
Em amarelo-escandaloso, flor,
Que, em boa hora, gostosa de si,
Ourivesou finíssimo sabor.

Mas em seu verde cansada si esteve,
Janus bifronte sem qualquer pudor,
Macho-e-fêmea, si famigerava:
A fome matava só com seu olor.

Então, voou seu perfume para além;
Em vez de presa, prendeu o beija-flor
Que, de paixão, o sexo ali retém.

Mas que não se engane o viajante,
Abocanhar-lhe dentes não convém:
Zapt! de presa se faz predador.

João Bosco Bezerra Bonfim

Da série: FABULÁRIO CONCISO PARA TEMPOS INCLEMENTES

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About João Bosco Bezerra Bonfim

Poeta, pesquisador de linguística e literatura. Mora em Brasília, DF, Brasil. Autor de mais de vinte livros: análise de discurso, poesia, literatura infantojuvenil, cordéis. Nasceu na Barra do Riacho Seco, município de Novo Oriente, Ceará, em 1961. Reside em Brasília desde 1972. Professor de literatura, mestre e doutor em linguística, na área de análise do discurso. Ministra oficinas para mediadores de leitura; faz leituras públicas de suas obras; participa de eventos literários em todo o Brasil.

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