dialética sertaneja

por João Bosco Bezerra Bonfim

Artes Verbais, Literatura de Cordel, Discurso, Letramento Literário, Narrativas, Poesia


Riacho Seco
se riacho, porque seco?
se seco, porque riacho?

mas um leito se sustenta
de matéria mais vária
que a imaterial água

ainda está aqui a areia
de que um riacho precisa
pra se achar

ainda os mofumbos se lembram
de seus galhos a acariciar as
correntes águas

que dizer das pedras
preparadas ainda para desviar
pressurosas a correnteza?

e as cacimbas? provas de água
mesmo diante da falta de fé!
e os sibitos, os socós, que
não fazem outra senão manter
cantantes o riacho?

mesmo que só discurso,
ainda riacho
ainda que de negado curso
ainda riacho
ainda que seco
riacho ainda

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About João Bosco Bezerra Bonfim

Poeta, pesquisador de linguística e literatura. Mora em Brasília, DF, Brasil. Autor de mais de vinte livros: análise de discurso, poesia, literatura infantojuvenil, cordéis. Nasceu na Barra do Riacho Seco, município de Novo Oriente, Ceará, em 1961. Reside em Brasília desde 1972. Professor de literatura, mestre e doutor em linguística, na área de análise do discurso. Ministra oficinas para mediadores de leitura; faz leituras públicas de suas obras; participa de eventos literários em todo o Brasil.

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